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Prevenção da obesidade: fatores de risco merecem atenção
Renato Lobo explica como a avaliação clínica ajuda a identificar fatores de risco para a obesidade e orientar cuidados com a saúde metabólica
30/10/2026 17h18
Por: mc Fonte: Agência Dino

A prevenção da obesidade envolve mais do que escolhas alimentares e prática de atividade física. Histórico familiar, qualidade do sono, sedentarismo e condições de saúde também podem influenciar o desenvolvimento da doença e representar fatores de risco para alterações metabólicas. Identificar esses aspectos ajuda a compreender as necessidades de cada pessoa e a orientar mudanças que contribuam para o controle do peso e a saúde a longo prazo.

Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz sobre o uso de medicamentos da classe GLP-1 no tratamento da obesidade, destacando a importância de identificar pessoas com maior risco de desenvolver obesidade e de apresentar complicações associadas. Embora o documento tenha como foco o tratamento medicamentoso, a abordagem também destaca a relevância do acompanhamento e da avaliação individualizada.

No Brasil, os dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgados pelo Ministério da Saúde em 2025, dimensionam o desafio: 62,6% dos adultos das capitais têm excesso de peso, enquanto 25,7% vivem com obesidade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o excesso de peso atinge 41,3%. Na faixa dos 25 aos 34 anos, o índice chega a 61,7%. Já entre adultos de 35 a 44 anos, a prevalência de obesidade é de 30,1%.

Segundo Renato Lobo (CRM 181.069-SP), médico pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e pós-graduado em Medicina Esportiva, a prevenção da obesidade exige atenção a diferentes fatores que influenciam o peso e a saúde metabólica ao longo do tempo. O histórico familiar, por exemplo, pode indicar predisposição genética, mas não determina que a doença necessariamente se desenvolverá. "Raramente existe uma causa única. O que vemos é uma combinação de fatores", explica.

Sono e regulação do apetite

Dormir pouco ou ter um sono irregular pode interferir nos mecanismos de fome e saciedade e afetar a disposição para a prática de atividade física. Por isso, Renato Lobo, que atua em emagrecimento, longevidade e alta performance física e profissional, destaca que a rotina de descanso deve fazer parte da avaliação dos hábitos cotidianos, especialmente quando as noites mal dormidas são frequentes.

Alimentação e consumo de ultraprocessados

O padrão alimentar é outro fator importante. O consumo recorrente de alimentos ultraprocessados, que concentram calorias, açúcares, gorduras e sódio, pode favorecer uma ingestão energética excessiva. A avaliação deve considerar não apenas esses produtos, mas também a variedade dos alimentos e a presença de fontes de fibras, proteínas, frutas e vegetais na dieta. "Identificar como a pessoa se alimenta no dia a dia ajuda a reconhecer quais mudanças são possíveis", argumenta.

Sedentarismo e atividade física

Passar muitas horas sentado e praticar pouca atividade física pode contribuir para o ganho de peso e dificultar a manutenção da saúde metabólica. De acordo com Renato Lobo, incorporar movimento à rotina é uma das medidas que podem ajudar na prevenção da obesidade. "A prática de atividade física deve ser considerada dentro da realidade de cada pessoa, levando em conta sua rotina, suas condições de saúde e as possibilidades de manter esse hábito regularmente", explica.

Composição corporal e circunferência abdominal

A balança, sozinha, não revela a proporção entre massa muscular e gordura corporal, informação importante tanto para a avaliação da saúde quanto para estratégias de emagrecimento. Por isso, a avaliação pode incluir medidas como a circunferência abdominal e, quando indicado, a análise da composição corporal. "A distribuição da gordura, especialmente na região abdominal, está associada ao risco de alterações metabólicas. Esses indicadores complementam a avaliação clínica, mas não permitem, isoladamente, prever quem desenvolverá obesidade", reflete Renato Lobo, idealizador da Clínica Sculpté, localizada no bairro do Jardim Paulista, em São Paulo.

Exames e saúde metabólica

Conforme o histórico e as necessidades de cada paciente, o médico pode solicitar exames como glicemia, hemoglobina glicada e perfil lipídico, que avaliam aspectos do metabolismo da glicose e das gorduras no sangue. Os resultados ajudam a identificar alterações que merecem acompanhamento, mas precisam ser interpretados em conjunto com a avaliação clínica. "Reconhecer esse conjunto permite avaliar quais mudanças podem fazer sentido para cada pessoa", afirma o nutrólogo.

A partir do histórico, dos hábitos e dos indicadores clínicos, o acompanhamento pode estabelecer prioridades e orientar mudanças na alimentação, na atividade física e no sono. Essas medidas contribuem para a prevenção da obesidade, o cuidado com a saúde metabólica e a manutenção da qualidade de vida ao longo dos anos. "Não existe fórmula certa. A prevenção eficaz parte de entender quem é aquele paciente, quais fatores merecem atenção e quais mudanças são compatíveis com a sua realidade", conclui Renato Lobo.