A impunidade nos assassinatos de jornalistas aumentou pela primeira vez desde 2012.
O alerta foi lançado nesta segunda-feira pela Unesco, em um relatório publicado por ocasião do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.
Segundo o documento, neste ano, "a taxa global de impunidade pelos assassinatos de jornalistas aumentou um ponto percentual, a 86%", o que significa que seis em cada sete autores dos crimes escapam da Justiça.
O índice, que abrange os homicídios cujas investigações não foram concluídas ou continuam em curso, registrava queda desde 2012, caindo do nível recorde de 95% para 85% em 2024.
A vice-diretora-geral de Comunicação e Informação da Unesco, Mariya Gabrie, destacou que “as investigações e os processos judiciais relacionados aos assassinatos de jornalistas em zonas de guerra continuam particularmente insuficientes" e que esta agência da ONU "não é um tribunal de justiça", mas exerce "pressão para que se faça justiça".
O relatório, publicado a cada dois anos, contabilizou o assassinato de 189 jornalistas, profissionais da imprensa e criadores de conteúdo responsáveis por atividades jornalísticas em 2024 e 2025, incluindo 14 mulheres.
Trata-se do biênio mais letal para os jornalistas na última década.
Dois terços deles foram assassinados em zonas de conflito, como os Territórios Palestinos, o Iêmen ou a Ucrânia.
A Unesco também destaca o uso cada vez maior de "veículos aéreos não tripulados ou drones", responsáveis por 26% dos homicídios em 2024 e 2025.
Além disso, insiste que os jornalistas continuam sendo assassinados em suas casas ou vestindo um colete que identifica sua profissão.