
O assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, em Brasileia, motivou um pronunciamento do deputado Tadeu Hassem (Republicanos) durante a sessão ordinária desta terça-feira (3), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). O parlamentar lamentou a morte da profissional, investigada como possível feminicídio, e questionou a eficácia dos mecanismos de proteção destinados às mulheres vítimas de violência doméstica. Ele também apresentou uma Moção de Pesar, que foi aprovada por unanimidade na Casa.
Ao relatar o caso, Tadeu afirmou que conhecia a médica e seus familiares e manifestou indignação diante das circunstâncias do crime. De acordo com o deputado, a vítima havia denunciado um homem por violência doméstica, possuía medida protetiva e teria acionado o botão do pânico, mas não recebeu socorro a tempo, apesar da proximidade com uma unidade da Polícia Militar.
“Ela tinha sobre ela a proteção do Estado. O Estado estava a protegendo. Ela denunciou um homem por violência doméstica, tinha medida protetiva e acionou o tão famoso Botão do Pânico. Mas o socorro não veio. Nós precisamos discutir a realidade e o funcionamento das medidas protetivas, se realmente temos condições de falar para a sociedade que essas medidas estão tendo resultado”, declarou.
Conforme informações preliminares divulgadas sobre o caso, o advogado Valadares Neto é apontado como suspeito de ter ordenado o assassinato. A médica foi encontrada morta em um estabelecimento comercial de Brasileia, e as circunstâncias do crime seguem sob investigação policial.
O parlamentar defendeu uma avaliação dos procedimentos de atendimento às mulheres ameaçadas e ressaltou a necessidade de aprimorar a resposta dos órgãos de segurança pública. Para ele, o episódio evidencia a importância de verificar se os instrumentos de proteção estão funcionando de maneira efetiva.
“Até quantas mulheres nós vamos presenciar serem mortas por homens? Até quando isso? Eu perdi uma amiga. Brasileia perdeu uma cidadã. Os pacientes perderam uma excelente médica. A mãe perdeu uma filha, os amigos uma amiga e a família um ente querido. Esse caso não pode ser mais um”, lamentou.
Tadeu informou ainda que entrou em contato com a Polícia Civil e com o secretário de Estado de Segurança Pública,CEL José Américo de Souza Gaia,para solicitar atenção às investigações. Embora tenha manifestado confiança no trabalho policial, o deputado afirmou que a sociedade não pode permanecer em silêncio diante da violência contra as mulheres.
Em homenagem à médica, o parlamentar apresentou uma Moção de Pesar, aprovada por unanimidade pelos deputados estaduais. Também solicitou à presidência da Aleac a realização de um minuto de silêncio, pedido que foi atendido, com os parlamentares de pé em memória de Elyne de Assis Nogueira.
Texto: Andressa Oliveira / Foto: Sérgio Vale