Meio Ambiente INTERNACIONAL
ONU alerta para danos irreversíveis às geleiras e ao gelo marinho com aquecimento acima de 1,5ºC
Relatórios apontam riscos de derretimento acelerado, elevação do nível do mar e escassez de água; limite de temperatura pode ser ultrapassado definitivamente por volta de 2030.
03/11/2026 15h59
Por: Redação - João Nagai Fonte: RBTV
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Superar 1,5ºC de aquecimento do planeta terá consequências ‘irreversíveis’ para as geleiras, o gelo marinho e as superfícies congeladas da Terra.

O alerta foi feito em dois relatórios da ONU publicados nesta segunda-feira.

O Acordo de Paris de 2015 estabeleceu como objetivo mais ambicioso limitar o aumento das temperaturas a 1,5ºC em relação à era pré-industrial, mas a ONU e muitos especialistas já consideram inevitável ultrapassá-lo.

Um dos relatórios afirma que isso provocará consequências ‘importantes e muitas vezes irreversíveis’ nas ‘regiões do planeta caracterizadas pela presença de neve, gelo e solos congelados’.

As repercussões serão múltiplas: o derretimento de geleiras e do gelo marinho, o descongelamento do permafrost e o aumento acelerado do nível do mar.

Isso elevará os riscos de inundações, danos econômicos e ecológicos, além de escassez de água.

Alguns impactos já são visíveis, como o desaparecimento de 20% da massa glacial na Suíça.

E embora o objetivo de +1,5ºC seja pertinente, ele é ‘alto demais’ para a criosfera, onde a água se encontra em estado sólido.

Segundo a rede europeia Copernicus, o limite de 1,5ºC pode ser ultrapassado definitivamente por volta de 2030.

O autor principal de um dos relatórios, James Kirkham, reivindica que se volte a colocar o aquecimento abaixo desse limite ‘o quanto antes’ para limitar ‘os danos relacionados à perda de gelo nas regiões polares e montanhosas do planeta’.

Ainda há um pouco de esperança.

Algumas geleiras poderiam se reconstituir parcialmente se o aquecimento global voltasse rapidamente a ficar abaixo de 1,5ºC, ou de 1ºC e o gelo marinho do Ártico também poderia se beneficiar.

Mas o tempo necessário para a reconstituição é muito maior do que o do declínio.