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Protestos contra o custo de vida reúnem até 1,6 milhão de pessoas na França
Trabalhadores e estudantes reivindicam reajustes salariais, justiça fiscal e melhores condições de estudo; governo anunciou uma conferência social para discutir o poder de compra e os salários.
05/11/2026 16h01
Por: Redação - João Nagai Fonte: RBTV
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Centenas de milhares de trabalhadores em greve e estudantes protestaram nesta quinta-feira (5) na França contra o aumento do custo de vida e para reivindicar um "salário digno", em um novo dia de mobilizações nacionais após semanas de protestos.

As manifestações, algumas marcadas por distúrbios e saques, como a de 17 de outubro, abalam os últimos meses da presidência de centro-direita de Emmanuel Macron, que deixará o poder em maio.

Até as 17h00 (13h00 no horário de Brasília), quase 600 mil pessoas participaram dos protestos, segundo as autoridades. O CGT, um dos sindicatos organizadores, anunciou, por sua vez, cerca de 1,6 milhão de manifestantes.

Os sindicatos pedem um reajuste do salário mínimo e um aumento dos salários em geral, mais justiça fiscal e a preservação dos serviços públicos, e apoiam os estudantes do ensino médio que, desde setembro, reivindicam melhores condições de estudo.

"Nada vai nos deter. A única coisa que vai acabar com a mobilização é a resposta às reivindicações", afirmou a líder da central sindical CGT, Sophie Binet, na capital, onde a Torre Eiffel e algumas salas do Museu do Louvre também fecharam devido às paralisações.

Após as manifestações, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, anunciou uma "conferência social" para segunda-feira, com sindicatos e representantes patronais, "destinada a apresentar respostas para as questões do poder aquisitivo e dos salários".

A diminuição do poder de compra, simbolizada pelo aumento dos preços dos combustíveis, está no centro do crescente mal-estar social. O governo dispõe de uma margem de manobra limitada, sobretudo quando busca sanear as contas públicas com um forte ajuste fiscal em 2027.

 

- "Estamos fartos" -

 

Na segunda maior economia da União Europeia, uma em cada duas pessoas declara que tem dificuldade para se sustentar com os recursos de seu domicílio, segundo um barômetro divulgado na quarta-feira por várias organizações, entre elas a principal central sindical, a CFDT.

"Estamos fartos. Não estamos morrendo de fome, mas precisamos ajudar nossos filhos, mesmo que eles tenham estudado", disse Sylvie Larneury, uma trabalhadora do setor de saúde que, junto com o marido, aderiu à paralisação para protestar na cidade de Clermont-Ferrand.

"Queremos viver do nosso trabalho, ganhar um salário digno", acrescentou, em Lyon, o viticultor Martin Thiberge, para quem as manifestações são um ponto de encontro para pessoas de todos os setores da sociedade.

Em Brest, o músico Yann Tiersen, autor da trilha sonora do filme mundialmente conhecido "Amélie", levou música à manifestação a partir do caminhão da CGT, celebrando "um momento importante" para "a convergência de lutas".

Os estudantes do Ensino Médio iniciaram a jornada bloqueando escolas, por considerarem insuficientes as respostas do governo às suas reivindicações, como a modificação do sistema de admissão à universidade.

Segundo as autoridades, apenas 81 das 3.700 escolas da França sofreram bloqueios, enquanto a agremiação de estudantes Union Syndicale Lycéenne (USL) elevou para 1.000 o número de instituições fechadas.

 

- Novas manifestações -

 

Embora as marchas tenham sido, em grande parte, pacíficas, houve confrontos com a polícia em algumas cidades, como Paris e Lyon, onde pelo menos um veículo foi incendiado. Perto de Toulouse, pessoas mascaradas provocaram um incêndio nas instalações de um colégio quase vazio.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia anunciado a mobilização de 70 mil policiais e "uma resposta extremamente firme" diante de possíveis desordens.

Mas o governo também está sob pressão por sua gestão dos protestos e pela proibição de manifestações. Associações de juízes, de advogados, sindicatos e organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram uma "guinada autoritária" para silenciar "toda voz discordante".

A indignação deve continuar se manifestando para além de quinta-feira: os coletes amarelos convocaram uma concentração no sábado na Praça da Concórdia, em Paris, apesar de estar proibida.

Enquanto os protestos de jovens avançam na Europa, sindicatos e grupos de defesa do direito à moradia de sete países convocaram "manifestações coordenadas" contra o aumento do custo de vida para o final de novembro.