Política NACIONAL
Empresário argentino é apontado como intermediário no pagamento de voo de Flávio Bolsonaro aos EUA
Segundo fonte ouvida pela AFP, Fernando Martín Boye teria intermediado a contratação do jato que levou o senador da Argentina a Miami; promotoria argentina pediu investigação para apurar possível uso de recursos públicos na operação.
06/11/2026 14h56
Por: Redação - João Nagai Fonte: RBTV
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Um piloto e empresário argentino radicado em Miami intermediou o pagamento do voo em que o ex-candidato de direita Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil.

A informação foi dada à Agência France-Presse por uma fonte envolvida na operação.

Depois de perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro partiu para os Estados Unidos em 28 de outubro, em um jato particular a partir da Argentina, após a polícia brasileira ter cancelado seus passaportes em conexão com um caso de lavagem de dinheiro.

O senador embarcou na madrugada daquele dia na cidade argentina de Puerto Iguazú, em um avião da empresa argentina Baires Fly, que fez uma escala em Guayaquil, no Equador.

O empresário argentino Luis Grande, proprietário da Baires Fly, disse na semana passada que foi contratado por um intermediário a partir de uma conta bancária americana, mas se recusou a identificá-lo e disse não conhecer o contratante por trás da transação.

Uma fonte envolvida na operação declarou, sob anonimato, que o intermediário é o piloto e empresário argentino Fernando Martín Boye, radicado há mais de uma década em Miami, onde o filho mais velho de Jair Bolsonaro pousou.

Boye é proprietário de pelo menos duas empresas no estado da Flórida, a Emerald Aviation e a Huracan USA, segundo registros públicos.

De acordo com duas fontes independentes do setor aeronáutico, Boye e Grande são amigos e já fizeram outros negócios juntos no passado.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, garantiu que os Estados Unidos não se envolveram “diretamente” no voo que decolou da Argentina.

Segundo uma fonte judicial, a promotora argentina Paloma Ochoa solicitou nesta quinta-feira a abertura de uma investigação para apurar se o governo argentino utilizou recursos públicos para facilitar o voo.

Flávio Bolsonaro afirmou ao The New York Times que “nenhum governo” ajudou na organização do voo e que “levará para o túmulo” o segredo sobre sua organização.