
O TikTok precisa mudar radicalmente seus fluxos de vídeos personalizados. Foi o que exigiu a União Europeia nesta sexta-feira, que acusa o modelo de prejudicar o bem-estar e a saúde mental dos usuários ao expô-los a sequências de conteúdos com efeitos muito negativos.
A subsidiária do grupo chinês ByteDance, que está na mira de Bruxelas, corre o risco de receber uma multa alta, uma vez que a Comissão Europeia considera que a empresa pode ter infringido dispositivos fundamentais da Lei de Serviços Digitais.
Trata-se de uma regulamentação sobre conteúdos que constitui uma das principais ferramentas jurídicas implementadas pela UE nos últimos anos para controlar as grandes empresas de tecnologia.
“Consideramos que o TikTok deve alterar o design do seu feed chamado ‘Para você’ na Europa. Deve desativar o tempo de exibição e o número de visualizações como indicadores para recomendar conteúdo, se basear nas escolhas explícitas dos usuários e garantir que o botão de atualização do feed seja permanente, e não temporário”, afirmou Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia.
Na raiz do problema está o próprio funcionamento do algoritmo de recomendação de conteúdos do TikTok.
Os fluxos de vídeos personalizados são projetados para oferecer, repetidamente, todo tipo de conteúdo que tenha despertado o interesse do usuário, inclusive aqueles que abordam temas que podem afetar o bem-estar físico e moral quando consumidos de forma recorrente, como a tristeza, a solidão ou questões relacionadas à autoestima.
A Comissão Europeia argumenta que ficar imerso na visualização ininterrupta e repetida desse tipo de conteúdo pode ter efeitos negativos sobre a saúde mental, especialmente no caso de adultos vulneráveis ou de menores de idade.
A rede social já introduziu mudanças em seus fluxos personalizados, mas Bruxelas considera que elas não são suficientes. Por isso, o Executivo europeu exige do TikTok uma série de mudanças profundas que afetam o próprio cerne de seu modelo de negócio, baseado em capturar ao máximo a atenção dos usuários.
A solicitação refere-se à maneira como o algoritmo seleciona os conteúdos que são exibidos.
Bruxelas lamenta que, atualmente, mesmo que um usuário indique que não tem mais interesse em determinado tipo de conteúdo, o algoritmo do TikTok possa ignorar essa escolha para maximizar o tempo que o usuário passa na plataforma.
O TikTok já está sob suspeita de ter cometido outras infrações a esse mesmo regulamento, incluindo o descumprimento de suas obrigações de proteção a menores, o que cria riscos de ciberassédio e de exposição a possíveis predadores.