
Shoko Kawata está prestes a fazer história pela segunda vez.
Ela administra uma pequena cidade japonesa nos arredores de Osaka e se tornará a primeira prefeita em exercício do país a tirar licença-maternidade.
Kawata ganhou destaque há quase três anos, quando se tornou a prefeita mais jovem do Japão.
E ela continua abrindo caminho.
Embora as funcionárias públicas da cidade de Yawata tenham direito garantido a 16 semanas de licença-maternidade, não existe uma opção ou protocolo equivalente para o cargo de prefeita.
Por isso, Kawata criou esse mecanismo para si mesma, nomeou um substituto e planeja tirar os quatro meses completos de licença.
"Bem, para ser sincera, eu mesma fiquei muito surpresa ao descobrir que sou a primeira prefeita a tirar licença-maternidade. Isso me fez perceber que, até agora, simplesmente não houve muitas mulheres jovens, ou mesmo mulheres em geral, que tenham se tornado prefeitas. Estritamente falando, não existe um sistema formal de licença-maternidade para prefeitas."
Kawata acrescenta que recebeu críticas por sua decisão.
Nas ruas de Yawata, durante o festival Taiko da cidade, as opiniões se dividiram enquanto a prefeita japonesa participava de um de seus últimos compromissos antes do afastamento.
Este homem afirmou ter considerado a decisão impressionante, proativa e progressista.
Esta entrevistada disse que a prefeita não deveria continuar recebendo salário integral durante a licença, embora concorde que ela deve ter tempo para se recuperar do parto.
Em outubro do ano passado, Sanae Takaichi se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão, mas a política e os cargos de liderança continuam sendo ambientes predominantemente masculinos.
O Japão ocupa a 118ª posição entre 148 países no mais recente relatório sobre disparidade de gênero do Fórum Econômico Mundial.
"As pessoas falam sobre igualdade de gênero e reforma dos modelos de trabalho, mas precisamos construir uma sociedade na qual as pessoas, em todas as profissões, incluindo as que ocupam cargos de liderança, não hesitem em ter filhos. Caso contrário, acredito que o contínuo declínio populacional causado pela queda da taxa de natalidade e a consequente deterioração econômica serão inevitáveis."
As mulheres japonesas têm direito legal a cerca de 14 semanas de licença-maternidade e normalmente recebem cerca de dois terços de seus salários, além de um bônus pelo nascimento do bebê.