
Dezenas de milhares de manifestantes marcharam em Nova Délhi, na Índia, na segunda-feira exigindo reformas governamentais e a renúncia do ministro da Educação do país, Dharmendra Pradhan.
Eles disseram que foram recebidos pela polícia com disparos de gás lacrimogêneo e golpes de cassetetes.
“Estávamos em uma marcha pacífica, não estávamos fazendo nada de errado, não tínhamos nenhuma arma nas mãos, estávamos apenas marchando em frente. De repente, a polícia entrou em confronto com a gente e disparou bombas de gás lacrimogêneo contra nós. Havia mulheres, crianças e idosos que ficaram cegos pelo gás por cinco a dez minutos, e a multidão quase os pisoteou.”
A polícia de Délhi negou o uso de força, acrescentando que o trabalho no protesto estava sendo conduzido de forma profissional.
Os manifestantes fazem parte de um movimento indiano liderado por jovens, batizado de Partido do Povo Barata – ou CJP na sigla em inglês, que surgiu como o maior desafio público ao primeiro-ministro Narendra Modi em seu terceiro mandato.
O nome foi adotado de forma desafiadora após o presidente do Supremo Tribunal do país se referir aos ativistas justamente como ‘baratas’.
O movimento de protesto surgiu entre jovens indianos, muitos deles frustrados pela falta de empregos nas áreas urbanas, após questões de um exame nacional de admissão para faculdades de medicina terem sido vazadas em maio, forçando cerca de dois milhões de estudantes a refazer o teste.
Abhijeet Dipke, fundador do CJP, disse que o estresse causado por toda a saga que envolveu a prova, levou a suicídios, embora isso seja difícil de verificar.
“Mais de 20 crianças já morreram por suicídio por causa do governo. Porém, parece que o governo ainda não está satisfeito.”
Um ativista disse que participou do protesto porque está preocupado com o futuro que seu jovem sobrinho terá pela frente.
“Eu não tinha participado do protesto do CJP nos últimos dias, mas hoje eu tive que vir. Eu tive que vir pelo futuro dele, eu acredito.”
Alegando corrupção no vazamento das questões do exame, o renomado ativista indiano Sonam Wangchuk manifestou apoio ao CJP e está em greve de fome há três semanas.
No sábado, a polícia levou Wangchuk à força para um hospital, provocando indignação entre os apoiadores do CJP.
Na segunda-feira, um porta-voz do Partido do Povo Barata disse no X que o ministro da Saúde, J.P. Nadda, havia pedido tempo para discutir as demandas do movimento.
As exigências do CJP incluem a libertação de Wangchuk, a renúncia do ministro da Saúde Pradhan e uma indenização de cerca de US$100 mil para cada um dos candidatos ao exame que morreram por suicídio, número que a imprensa estima em cerca de 10.