
Os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram nesta segunda-feira um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, em meio à intensificação da guerra entre Estados Unidos e Irã, o que ameaça a capacidade de um dos maiores exportadores mundiais de petróleo.
O grupo, apoiados pelo Irã, anunciaram “um bloqueio marítimo contra o inimigo saudita criminoso, segundo o princípio de 'olho por olho', com efeito imediato", declarou seu porta-voz militar, Yahya Saree.
O Iêmen compartilha uma fronteira terrestre e litoral com a Arábia Saudita, cujo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, tem sido fundamental para a exportação de petróleo como alternativa ao Estreito de Ormuz.
Os rebeldes, que controlam de fato amplas regiões do Iêmen, já tentaram anteriormente interromper o tráfego marítimo no Mar Vermelho, aproveitando-se do Estreito de Bab el-Mandeb, um ponto de estrangulamento localizado no extremo sul do país, pelo qual os navios precisam passar ao navegar de ou para o Canal de Suez e o Mar Mediterrâneo.
Os houthis já haviam atacado embarcações nessa rota durante a guerra em Gaza, obrigando os navios a fazer desvios ao redor da África.
O anúncio ocorre após as trocas de tiros da semana passada, as primeiras em anos, que colocam em risco a trégua negociada em 2022, ainda em vigor apesar de seu prazo já ter expirado.
Essas hostilidades ocorrem após a recente tentativa de pouso, em Saná, de um avião iraniano proveniente de Teerã, que desafiou a hegemonia saudita sobre o espaço aéreo iemenita.
O bloqueio aumentaria a pressão sobre a economia saudita e sobre os mercados mundiais, ao privar o reino do acesso aos seus portos no Mar Vermelho, fundamentais para o comércio de petróleo.
A Arábia Saudita condenou nesta segunda-feira o anúncio do bloqueio marítimo.