Ruínas romanas que resistiram por dois mil anos na cidade portuária de Tiro, no Líbano, foram danificadas por ataques aéreos israelenses. O local é um sítio listado Patrimônio Mundial pela Unesco.
Este capitel foi arrancado do topo de uma coluna histórica.
Adnan Istanbouli trabalha na Direção Geral de Antiguidades do Líbano.
Ele afirmou que o ataque danificou também um mosaico romano de dois mil anos, dizendo que uma peça parecia ter sido atingida por um terremoto.
As tropas de Israel invadiram o Líbano em março, após combatentes do Hezbollah abrirem fogo contra alvos israelenses.
E o conflito não poupou os sítios históricos libaneses.
Ataques israelenses devastaram um mercado da era mameluca em Nabatieh, e tropas arrasaram cidades fronteiriças libanesas com séculos de história.
Em maio, as forças israelenses tomaram o Castelo de Beaufort, uma fortaleza da época das cruzadas.
Israel acusou o Hezbollah de armazenar armas no local, uma acusação negada pelas autoridades libanesas.
Em resposta aos questionamentos feitos pela Reuters, o Exército israelense afirmou não ter como objetivo ‘causar danos excessivos à infraestrutura civil e que realize ataques apenas por necessidade militar’.
Disse ainda que levou em conta a existência de 'sítios sensíveis' e que aplicou 'um processo rigoroso de aprovação conforme exigido'.
Ghassan Salamé é o ministro da Cultura do Líbano. Ele afirmou que ataques israelenses prejudicam o patrimônio de seu país.
"Os patrimônios não são apenas as antiguidades romanas e fenícias. Os patrimônios também são os edifícios históricos, sítios arqueológicos e construções com função cultural. E, aqui, a destruição é extensa em grande medida, especialmente nos aproximadamente 60 vilarejos que foram completamente demolidos."
Apesar de um cessar-fogo que entrou em vigor há uma semana, o ministro disse que as autoridades ainda não pretendem traçar um panorama completo dos danos.
As tropas israelenses ainda ocupam o que seu governo descreve como uma zona de segurança de 10 km adentro do território do Líbano, uma área que afirma ser de acesso proibido aos libaneses.