O Congresso do Chile aprovou quase a totalidade de uma megarreforma legislativa com a qual o governo busca mudar o rumo econômico do país e atrair mais investimentos, uma das principais promessas do presidente de extrema direita José Antonio Kast.
O pacote enfrenta forte resistência da oposição, que considera que ele só favorece os setores mais ricos e que poderia reduzir os orçamentos estatais destinados a auxílios sociais.
A esquerda também critica o congelamento, por 20 anos, das condições tributárias para os investimentos que superem 350 milhões de dólares e a obrigação de reembolsar gastos de investimento às empresas que tiverem suas licenças ambientais revogadas pela Justiça.
"Esta reforma é totalmente nefasta para todos nós. No que diz respeito à natureza, principalmente. E, bom, coisas tão simples como a saúde, a educação, os auxílios sociais que contribuíram muito e que também custou muitíssimo sustentar durante muitos anos."
A proposta de Kast inclui vários benefícios tributários, como uma redução gradual do imposto de renda das grandes empresas, de 27% para 23%, próximo da média dos países desenvolvidos.
“Eu gosto da reforma porque acho que é uma iniciativa que não está ideologizada e vai em apoio a muitas empresas e às pequenas e médias, que são as mais importantes são as que têm, que absorvem a maior mão de obra aqui no Chile.
E acho que vai ser uma injeção econômica importante.
Isso é o que a gente vê em certa medida através dos jornais e das notícias.
E acho que o Chile precisa dessa injeção porque houve fuga de capitais e realmente é preciso convidá-los a regressar."
Para frear algumas reduções tributárias, a oposição anunciou que vai recorrer ao Tribunal Constitucional, o que poderia atrasar a promulgação da lei.
Segundo especialistas, a medida significará uma guinada na política econômica do país, já que, desde 2014, a discussão econômica e tributária no Chile sempre havia estado focada em um aumento da carga de impostos.