
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo de energia nuclear que permitirá a Riad enriquecer urânio e construir reatores com tecnologia norte-americana.
Mas o pacto também gera preocupações de que possa abrir caminho para que o reino desenvolva armas nucleares.
A aliança entre Washington e Riad prevê o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de resíduos nucleares, ambos considerados possíveis caminhos para a produção de uma arma nuclear.
O texto não obriga a Arábia Saudita a aceitar inspeções surpresa da Agência Internacional de Energia Atômica, mecanismo que serviria para prevenir atividades secretas de enriquecimento nuclear.
Essa é uma preocupação porque o príncipe herdeiro saudita já afirmou que Riad desenvolverá armas nucleares caso o Irã, seu rival regional, faça o mesmo.
Um acordo nuclear civil entre os dois países vinha sendo negociado há anos.
Mas grupos de defesa da não proliferação nuclear alertaram contra sua aprovação.
O acordo também pode levantar questionamentos sobre coerência política: a recusa do Irã em abandonar seu programa de enriquecimento de urânio foi uma das justificativas apresentadas para a guerra conduzida pelos Estados Unidos contra o país.
O presidente norte-americano, Donald Trump, também afirmou na quinta-feira que o plano só avançará se Riad aderir aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel, algo que o reino tem se recusado a fazer até agora.
Os Estados Unidos afirmam que também foi assinado um acordo bilateral de salvaguardas, que inclui compromissos de não proliferação previstos na Lei de Energia Atômica norte-americana.
"Uma das melhores salvaguardas é garantir que a tecnologia norte-americana e as empresas norte-americanas sejam as responsáveis por essas atividades. Se, por outro lado, um país buscar tecnologia nuclear com outro parceiro, então não teremos realmente controle sobre essas salvaguardas."
O acordo seguirá agora para o Congresso norte-americano, que terá 90 dias para debater os termos.
Para bloqueá-lo, será necessária uma maioria de dois terços capaz de derrubar um eventual veto presidencial.
Alguns parlamentares democratas temem que o acordo possa desencadear uma corrida armamentista no Oriente Médio.
'Eles estão permitindo que a Arábia Saudita, uma nação beligerante e autoritária, desenvolva tecnologias de armas nucleares enquanto iniciam uma guerra contra o Irã sob o pretexto de impedir uma bomba nuclear iraniana.'