Política INTERNACIONAL
O que está incluído no acordo de energia nuclear entre EUA e Arábia Saudita?
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita chegaram a um acordo sobre energia nuclear para fins civis. Mas o que está previsto no acordo e o que ele pode significar para as capacidades nucleares sauditas?
27/07/2026 10h01
Por: Redação - Vinicius Fonte: Reuters Connect
Reuters Connect

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo de energia nuclear que permitirá a Riad enriquecer urânio e construir reatores com tecnologia norte-americana.

Mas o pacto também gera preocupações de que possa abrir caminho para que o reino desenvolva armas nucleares.

A aliança entre Washington e Riad prevê o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de resíduos nucleares, ambos considerados possíveis caminhos para a produção de uma arma nuclear.

O texto não obriga a Arábia Saudita a aceitar inspeções surpresa da Agência Internacional de Energia Atômica, mecanismo que serviria para prevenir atividades secretas de enriquecimento nuclear.

Essa é uma preocupação porque o príncipe herdeiro saudita já afirmou que Riad desenvolverá armas nucleares caso o Irã, seu rival regional, faça o mesmo.

Um acordo nuclear civil entre os dois países vinha sendo negociado há anos.

Mas grupos de defesa da não proliferação nuclear alertaram contra sua aprovação.

O acordo também pode levantar questionamentos sobre coerência política: a recusa do Irã em abandonar seu programa de enriquecimento de urânio foi uma das justificativas apresentadas para a guerra conduzida pelos Estados Unidos contra o país.

O presidente norte-americano, Donald Trump, também afirmou na quinta-feira que o plano só avançará se Riad aderir aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel, algo que o reino tem se recusado a fazer até agora.

Os Estados Unidos afirmam que também foi assinado um acordo bilateral de salvaguardas, que inclui compromissos de não proliferação previstos na Lei de Energia Atômica norte-americana.

"Uma das melhores salvaguardas é garantir que a tecnologia norte-americana e as empresas norte-americanas sejam as responsáveis por essas atividades. Se, por outro lado, um país buscar tecnologia nuclear com outro parceiro, então não teremos realmente controle sobre essas salvaguardas."

O acordo seguirá agora para o Congresso norte-americano, que terá 90 dias para debater os termos.

Para bloqueá-lo, será necessária uma maioria de dois terços capaz de derrubar um eventual veto presidencial.

Alguns parlamentares democratas temem que o acordo possa desencadear uma corrida armamentista no Oriente Médio. 

'Eles estão permitindo que a Arábia Saudita, uma nação beligerante e autoritária, desenvolva tecnologias de armas nucleares enquanto iniciam uma guerra contra o Irã sob o pretexto de impedir uma bomba nuclear iraniana.'