
A sexta-feira, 24 de julho, marcou um mês dos dois terremotos que devastaram a costa central da Venezuela.
O número oficial de mortos na tragédia já passa de 5,3 mil.
O fluxo de ajuda nas áreas atingidas vem diminuindo. Contudo, os moradores de La Guaira mantêm a esperança de encontrar parentes desaparecidos.
Para muitos, o tempo transformou a esperança em força, já que, dia após dia, eles ficam ao lado de estruturas desmoronadas, exigindo que as operações de resgate continuem até que a última pessoa desaparecida seja encontrada.
Williannys Reyes, que ficou desempregada devido ao terremoto e busca desesperadamente por seus parentes, descreveu a dolorosa determinação da comunidade.
“Apesar de todo esse desastre, temos força para continuar, continuar por nossos familiares que estão aí, debaixo dos escombros. E, enfim, estamos aqui com a esperança de que eles sejam encontrados. E vamos ficar aqui até o final. Até o final porque é isso que temos que fazer, que eles sejam encontrados, que seus corpos não sejam abandonados aqui. E, apesar de todo o desastre, apesar de tanta tristeza que invade nosso coração por essa tragédia que aconteceu, temos que ter a força e a vontade para seguir em frente.”
Em meio a uma paisagem repleta de escombros e abrigos improvisados, os moradores enfrentam, além do desemprego generalizado, um trauma psicológico que excede a capacidade local de resposta.
Também por isso, o clínico-geral Jesus Espejo, que trabalha em um centro de atendimento médico temporário, disse acreditar que a continuidade da ajuda internacional é extremamente necessária.
“Não abandonem, não acabem com a ajuda, porque agora é que precisamos mais dela. Precisamos porque há muita gente afetada, há muita gente em crise emocional, desempregada, e não temos capacidade para cobrir todas as necessidades que o povo tem neste momento.”