
Com orelhas pequenas e arredondadas, pelagem curta e escura e um focinho semelhante ao de uma raposa, o elusivo ‘cão-fantasma’ da Amazônia o Atelocynus microtis, também conhecido como o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas foi documentado em um importante estudo de 2026 realizado por pesquisadores da Wildlife Conservation Society na Bolívia.
O trabalho reuniu várias centenas de registros em toda a Bolívia e analisou 34 amostragens com câmeras-armadilha realizadas entre 2001 e 2024 na grande paisagem Madidi-Tambopata, uma gigantesca região de conservação que se estende entre o noroeste da Bolívia e o sudeste do Peru, e na paisagem biocultural dos Llanos de Moxos, no norte boliviano.
Robert Wallace é o diretor da WCS na Bolívia.
“Quase todos os 600 eventos que temos são solitários, né? Ou seja, é um animal que passa pelos lugares. Então, certamente o que sabemos por outros estudos no sul do Peru é que suas áreas de ação são relativamente pequenas, mas não tão pequenas, porque estou falando de mais ou menos uns 10 km². Então, vivem em áreas assim. E bem, são sobretudo solitários, com mais atividade no que chamamos de crepúsculo, que é na hora do amanhecer e do entardecer.”
As amostragens geraram 4.635 fotografias, que representam 594 registros independentes de cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, o que oferece novas informações sobre um dos canídeos silvestres menos conhecidos da América Latina.
“Eles têm um estilo de vida que não se revela. Não é que seja tão noturno: na verdade é mais diurno do que noturno, anda mais de dia, mas vive na mata, mata fechada, e como tem um sentido de olfato muito desenvolvido, parece que é muito capaz de se esconder de nós, pessoas. Então não é um animal que muita gente tenha visto muitas vezes. Até mesmo quando conversamos com os membros das comunidades, com nossos guias no mato, eles, de fato, conhecem, mas não o viram com tanta frequência.”
O estudo, publicado em março de 2026, revela que ‘a abundância relativa do cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas foi maior nas áreas protegidas e nos territórios indígenas que se sobrepõem a essas regiões, o que reforça a importância dessas unidades de gestão para a conservação da biodiversidade’.