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Sumba, a ilha indonésia onde homens e mulheres vivem como escravizados
A duas horas de avião das praias de Bali, na ilha indonésia de Sumba, homens e mulheres vivem como escravizados do nascimento à morte, de geração em geração, devido ao peso de uma ‘tradição’ sem a intervenção do Estado.
28/07/2026 09h32
Por: Redação - Vinicius Fonte: AGENCIA FRANS PRESS
AGENCIA FRANS PRESS

Nesta ilha paradisíaca, a uma curta distância do popular destino turístico de Bali, uma realidade sombria se esconde.

Aqui, a escravização persiste, com milhares de pessoas nascendo e morrendo como servos. Este escravizado vive com seu senhor e o serve do amanhecer ao anoitecer.

Kanisius Kanyali Hambarita, ‘Ata’ ou escravizado : "Nossa posição está definida. Não pode ser mudada."

Kanisius Kanyali Hambarita, ‘Ata’ ou escravizado: "Não me oponho; as coisas são assim. Ser um Ata não é um fardo para nós, não nos pesa. É apenas o símbolo de uma tradição herdada de nossos ancestrais."

A escravização é ilegal na Indonésia, mas sobrevive no rígido sistema de castas de Sumba.

O maramba, como é chamado o senhor dos escravizados, é três anos mais novo do que seu escravizado Kanisius.

Ele permite que o homem ganhe um pouco de dinheiro como mototaxista e lhe confia um pedaço de terra onde o servo cultiva para o próprio sustento.

Umbu Ana Rara, ‘Maramba’, senhor de escravizados: "Eu os trato como minha própria família."

Umbu Ana Rara, ‘Maramba’, senhor de escravizados: "Se eles querem fazer alguma coisa, ainda precisam me ouvir. Se dizem: 'Meu filho quer ir para esta escola, quer fazer este trabalho', eu apoio, porque entendo que vivemos em uma era cada vez mais moderna."

Cerca de 80% da população de Sumba é cristã, em um país predominantemente muçulmano.

Mas a maioria ainda pratica o ‘Marapu’, uma religião local que combina animismo, culto aos ancestrais e o mundo espiritual.

Rituais intensos, como um funeral de um nobre, reforçam as estruturas sociais.

Até o início da década de 1990, a polícia monitorava esse tipo de cerimônia por medo de sacrifícios humanos, já que, segundo o ritual Marapu, um nobre tinha que ser enterrado com um de seus escravizados.

A chegada da modernidade mudou pontos da tradição, mas não alterou o sistema de castas.

Um costume no qual os escravizados são frequentemente vítimas de violência física e sexual.

Marlin Lomi, Pastor e Presidente do Sínodo Protestante de Sumba Oriental: "Existem os marambas. Existem ainda os kabihu, a classe média. E existem também os atas."

Marlin Lomi, Pastor e Presidente do Sínodo Protestante de Sumba Oriental : "Os escravizados que sofrem violência não suportam apenas violência física, mas também violência sexual, na qual o senhor pode, entre aspas, se podemos dizer assim, 'usar' sua serva, e isso não é questionado."

Alguns nobres afirmam que tentam se atualizar.

Esta mulher diz que não conseguiu emancipar as cinco atas que acolheu quando se casou com o filho de uma família de classe alta.

Mas insiste que, em sua casa, rompe com esse sistema rígido.

Norlina Rambu Jola Kalunga, ‘Maramba’, senhora de escravizados: "Uma maneira de reformar esse sistema rígido é começar por nossas próprias famílias. Por isso, enviamos todas as atas da nossa família para a escola."

É difícil determinar quantos escravizados existem em Sumba.

Mas a maioria das estimativas aponta para milhares de pessoas.

Apesar da situação polêmica, o governo afirma que a Indonésia é uma sociedade extremamente pluralista e deseja apoiar o desenvolvimento de cada comunidade sem impor mudanças abruptas.

Yusril Ihza Mahendra, Ministro da Justiça e Direitos Humanos da Indonésia : "A Indonésia possui alguns grupos étnicos mais avançados, outros ainda atrasados.

O governo não quer impor mudanças repentinas; em vez disso, acompanha o desenvolvimento social de cada comunidade.

Estamos convencidos de que a educação mudará tudo." Enquanto isso, o tratamento dos escravizados segue à revelia da justiça social, nas mãos dos senhores a quem os servos são designados.