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Busca por desaparecidos continua um mês após terremotos na Venezuela
Cansaço, tristeza, raiva... uma mistura de sentimentos em meio a uma cena apocalíptica de prédios desabados após o duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho. Um mês depois, muitos continuam lutando para recuperar seus entes queridos de um amontoado impenetrável de escombros.
28/07/2026 10h34
Por: Redação - Vinicius Fonte: AGENCIA FRANS PRESS
AGENCIA FRANS PRESS

Passou um mês desde o duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho.

Em meio ao cansaço e à tristeza, muitos continuam lutando para recuperar parentes e amigos entre os escombros.

Deisy Gutiérrez, busca a irmã desaparecida: "Esteja morta ou viva, mas nós não vamos sair daqui enquanto ela não aparecer".

A irmã de Deisy morava no 12º andar de uma torre de um complexo social na praia Los Cocos.

O lugar agora é um cemitério de escombros.

Aqui, grupos formados majoritariamente por integrantes das forças armadas vasculham apartamento por apartamento, ou o que resta deles, em busca de cadáveres.

Quinze familiares também participam da procura.

Mas nem em todos os lugares há máquinas ideais para o serviço.

Muitos relatam que aparelhos utilizados para recuperar cadáveres se concentram nos escombros de prédios de habitação social construídos pelo governo, enquanto em outros setores há pouca assistência.

Residências Caribe é um dos complexos de apartamentos de classe média, de construção privada, que ficaram devastados.

Eram quatro torres onde os familiares ainda procuram cerca de 140 desaparecidos.

Francis Riascos, busca o irmão desaparecido no complexo Residências Caribe: "Eu acho que está muito abandonado, ou seja, não há interesse, não há interesse, pelo menos por este setor".

Francis Riascos, busca o irmão desaparecido no complexo Residências Caribe: "Com nossos próprios recursos, nós mesmos buscamos alguns equipamentos para fazer escavações".

Dados oficiais confirmam até agora quase 5.400 mortos, além de cerca de 200 prédios destruídos e mais de 800 com danos que tornam as construções inabitáveis.

O número de desaparecidos não foi divulgado, embora se estime que sejam milhares.

Torumo Russo, voluntário no complexo Residências Caribe: "São muitas pessoas desaparecidas... são muitas pessoas que estão lá embaixo, entre os escombros, não é fácil...".

Os moradores dizem que alguns cadáveres são visíveis, mas estão presos por pesados blocos de concreto.

A única forma de entrar é abrindo buracos nas pesadas placas de concreto, o que exige maquinário especial caro e pessoal qualificado. 

Jesús Luna Osorio, busca a esposa e os dois filhos: "Meus cunhados e um grupo de amigos que estava ali, quando estiveram aqui, ficaram lá trabalhando, abrindo buracos praticamente com as unhas".

Após quatro semanas de buscas, o cansaço enfraquece os voluntários. Mas as famílias estão longe de entregar os pontos e deixar que a memória dos parentes seja enterrada nos escombros sem um destino digno.