
O Brasil negou vistos a dois funcionários dos Estados Unidos, que pretendiam se reunir com autoridades eleitorais a menos de três meses das eleições presidenciais.
De acordo com uma fonte diplomática, a decisão foi tomada diante do "risco de instrumentalização política”.
A negativa abre um novo capítulo nas tensões entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega americano, Donald Trump.
Em outubro, Lula disputará a reeleição com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
A fonte brasileira relatou que, em 20 de julho, os Estados Unidos pediram vistos para os dois funcionários, que viajariam em missão para tratar com autoridades eleitorais de questões de liberdade de expressão relacionadas com as eleições.
Mas, "chamou a atenção" que os vistos fossem pedidos quase simultaneamente a um encontro entre Flávio Bolsonaro e diplomatas estrangeiros, no qual o candidato do PL questionou a confiabilidade do sistema de votação eletrônica.
Flávio usou argumentos similares aos que levaram, em 2023, à inelegibilidade de seu pai, mais tarde também condenado por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a fonte, diante deste cenário, a representação diplomática brasileira negou os vistos aos funcionários americanos.
Consultadas pela AFP, as autoridades americanas não reagiram de imediato.
O governo Trump impôs este mês duas rodadas de tarifas aduaneiras a produtos brasileiros, que se somaram a outras sanções contra o Brasil, implementadas por Washington desde o ano passado. Lula acusa Flávio Bolsonaro de ser um "traidor da pátria" que teria incentivado o tarifaço americano, o que ele nega. Aliado de Jair Bolsonaro durante sua Presidência, Trump apoiou candidatos da direita em eleições recentes em outros países latino-americanos, como Argentina, Colômbia e Honduras.