
As pontes sobre o rio Han, na capital da Coreia do Sul, são ao mesmo tempo cartões-postais e conhecidos locais de suicídio.
A área é vigiada por câmeras com tecnologia de inteligência artificial treinadas para identificar situações de risco.
Quando as câmeras instaladas nas pontes em Seul disparam o alarme de que alguém pode estar prestes a pular, agir rapidamente é vital.
O sistema de vigilância baseado em IA alerta as equipes de primeiros socorros se uma pessoa permanece por muito tempo em determinados locais ou se entra em uma área considerada insegura.
Kim Jun-young, chefe do Centro Integrado de Controle por CFTV da Ponte Hangang : "O papel da IA é, primeiro, detectar todos os objetos em movimento na ponte. Em seguida, ela distingue se são pessoas ou não. Se um objeto que foi identificado como pessoa realiza uma determinada ação, uma tela como esta é exibida para os nossos operadores.
Os operadores então verificam a tela e determinam se é algo que precisa ser monitorado ou se pode simplesmente ser ignorado”.
As ferramentas de IA aprendem padrões de comportamento a partir de câmeras em instalações públicas, como shoppings e estações.
Com isso, ajudam os socorristas a identificar perigos e a aumentar a chance de interceptação.
A empresa japonesa Asilla afirma que seu sistema de vigilância com IA consegue detectar comportamentos incomuns, como quedas ou alguém que possa estar se preparando para pular de uma certa altura.
Yuka Suzuki, diretora de produto, Asilla : “Os seguranças e a equipe usam essa ferramenta para monitorar o comportamento das pessoas para ficar de olho em quem pode estar em perigo, como quando alguém desmaia ou cai, ou para detectar sinais do que provavelmente vai acontecer em seguida, identificando determinados movimentos”.
O sistema de IA do Rio Han está em operação desde 2021, mas a Coreia do Sul continua sob uma crise de suicídio grave.
A taxa em 2024 ultrapassou 29 mortes por 100.000 habitantes, a mais alta desde 2011.
De acordo com dados do governo, é a principal causa de morte entre pessoas de 10 a 49 anos.
Pressão acadêmica incessante, cargas de trabalho pesadas e uma cultura de muita responsabilidade são apontados por especialistas como alguns fatores que podem deixar as pessoas vulneráveis e suscetíveis a retirar a própria vida.
Kim Jun-young, chefe do Centro Integrado de Controle de CFTV da Ponte Hangang: "Algumas pessoas dizem: ‘Por que impedir alguém que quer morrer? É uma liberdade pessoal, então por que interferir? Há quem faça esse tipo de argumento.
Mas nós não vemos dessa forma.
Acreditamos que possa ser uma decisão equivocada, então o que queremos é que isto funcione como uma ferramenta que lhes dê a chance de parar e pensar mais uma vez antes de tomar essa decisão”.
Em meio a um cenário global de muitas preocupações sobre os riscos da IA nas atividades humanas, o uso dessa ferramenta nas pontes sobre o rio Han mostra que a tecnologia e a humanidade podem ser grandes aliadas.