Em um movimento de aproximação ao capital privado, a Fifa informou na terça-feira que planeja criar uma nova subsidiária comercial avaliada em US$20 bilhões.
O ambicioso plano prevê que a entidade crie a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária de propriedade integral que consolidaria as operações comerciais e de eventos da organização.
De acordo com a proposta, investidores externos seriam convidados a adquirir participações minoritárias, sem controle, na nova empresa para levantar fundos de até US$4,2 bilhões.
Mas, na prática, o que significa a aproximação da Fifa com o capital privado?
O editor de esportes para a Ásia e Pacífico da Reuters, Nick Mulvenney, falou sobre o assunto.
“Tradicionalmente, a Fifa cuida da organização e fica com a receita da própria Copa do Mundo. A nova proposta é que ela crie uma nova subsidiária comercial, que administrará a Copa do Mundo e seus outros eventos. A ideia é alcançar cerca de US$20 bilhões em termos do valor dessa nova organização. E, ao vender até 20% dessa nova organização, ela quer arrecadar cerca de US$4,2 bilhões.”
“Fora dos principais países do futebol ao redor do mundo, que estão principalmente na Europa e alguns na América do Sul, a maioria das federações nacionais — e são 211 ao redor do mundo — depende total ou majoritariamente da Fifa para seu financiamento. O que essa proposta significa é que elas receberiam mais financiamento. Estamos falando de algo em torno de US$40 milhões ao longo de um período de três anos.”
Quatro das seis confederações regionais de futebol divulgaram comunicados dizendo desconhecer e terem sido pegas de surpresa pela proposta.
“Elas esperam ser consultadas e expressaram sua indignação pelo fato de não terem sido consultadas sobre essa proposta bombástica, basicamente. A Uefa foi a mais dura, acusando Infantino pessoalmente de vender a alma do jogo, e a oposição da Uefa é muito importante porque a Uefa é a potência financeira do futebol mundial. Ela inclui a maioria dos grandes clubes do mundo e muitas das grandes estrelas do futebol ao redor do mundo jogam na Europa.”
Apesar da oposição dos grandes centros ao plano, o presidente da Fifa, Gianni Infantino acredita que conseguirá aprovar sua proposta, já que ele espera contar com o apoio de muitas das pequenas federações.
“No Congresso da Fifa, cada uma das 211 federações nacionais tem um voto. Então, se você é a Federação de Futebol de Vanuatu ou a Federação de Futebol da Nova Zelândia, você tem tanto poder no Congresso quanto a Alemanha, o Brasil, a Inglaterra, a Espanha, a Itália.”
A Uefa fará uma reunião de emergência nos próximos dias e algumas reportagens sugerem que poderá surgir a proposta de um boicote à Copa do Mundo.