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Fenasbac e GASA lançam estudo sobre golpes digitais

Material reflete sobre o impacto financeiro dos golpes no Brasil e os caminhos para uma defesa integrada

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
31/07/2026 às 18h37
Fenasbac e GASA lançam estudo sobre golpes digitais
Divulgação Fenasbac

A Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) e a Global Anti-Scam Alliance (GASA) lançam o relatório "O Impacto dos Golpes Digitais no Sistema Financeiro Brasileiro - The Brazil Blueprint", material que mapeia o avanço dos golpes digitais e das fraudes digitais no país e compartilha a trajetória, experiência e melhores práticas do Banco Central do Brasil, AWS, FEBRABAN, GSMA Intelligence e Mercado Bitcoin. Segundo a Fenasbac, o documento representa um marco para o debate sobre a força da união entre as instituições de diversas áreas na luta e prevenção a golpes e fraudes. O relatório foi divulgado durante webinar aberto ao público no YouTube.

O lançamento ocorre em um cenário de expansão acelerada dos crimes financeiros digitais no Brasil. As perdas do sistema bancário com golpes e fraudes chegaram a R$ 10,1 bilhões em 2024, alta de 17% em relação ao ano anterior, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Levantamento da própria GASA aponta que oito em cada dez adultos brasileiros enfrentaram ao menos uma tentativa de golpe no último ano, e que 38% chegaram a perder dinheiro, contra 23% da média global. Entre julho de 2024 e junho de 2025, mais de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes via Pix e boletos, com prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em levantamento com o Datafolha. Em paralelo, a Febraban aponta que os prejuízos com golpes via Pix cresceram 43% em relação a 2023, somando R$ 2,7 bilhões.

O relatório parte de um diagnóstico central: o golpe moderno deixou de ser um evento isolado para se tornar uma operação industrializada. De acordo com o material, criminosos passaram a adquirir tráfego, comprar bases de dados e empregar inteligência artificial para refinar técnicas de engenharia social, percorrendo várias camadas — de anúncios falsos e links patrocinados a aplicativos de mensagem — antes de concluir a fraude com a transação financeira.

Nesse arranjo, o pagamento representa apenas o último elo de uma cadeia criminosa mais longa, o que reduz a eficácia de defesas corporativas isoladas. A escalada tem levado o próprio Banco Central a reforçar exigências para que instituições emitam alertas sobre transações suspeitas e ampliem os mecanismos de análise de risco.

Rodrigoh Henriques, diretor de Inovação e Estratégia da Fenasbac, afirma que a consolidação do material respondeu à necessidade de criar, cada vez mais, ecossistemas com instituições que colaboram e operam juntas. "O que nos motivou a consolidar este relatório foi a urgência de evoluirmos rápido, tanto no Brasil quanto no mundo, na capacidade de compartilhar dados, estratégias e inteligência, entre instituições atuantes nessas frentes. Não existe segmento ou instituição menos importante no sistema financeiro. Todos os participantes precisam colaborar com o desenho de segurança, fraudes e antigolpes", declara.

Segundo Henriques, o principal objetivo do estudo é demonstrar que a solução depende de inteligência de dados, regulação moderna e responsabilidade compartilhada.

"A seguranção do sistema financeiro é um bem coletivo. Como destaca Aristides Cavalcante, do Banco Central, um dos colaboradores do relatório, há uma visão que vem sendo construída em conjunto com organismos internacionais, como o Comitê de Basileia, o FMI e o Banco Mundial, sobre como devemos atuar globalmente, reforçando o alinhamento da Federação com os interesses do regulador. O caminho passa por uma arquitetura de responsabilidades compartilhadas, em que a prevenção esteja integrada ao sistema e não dependa apenas da reação após a fraude acontecer", afirma Henriques.

Henriques cita a atuação em ambientes de prototipagem, como o LIFT Lab, coordenado em parceria com o Banco Central, e o LEAP, desenvolvido com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como exemplos de espaços de inovação em que mercado e reguladores atuam lado a lado.

Ao reunir dados sobre o volume de recursos desviados e modelos de prevenção compartilhada, o material dirige-se a instituições financeiras, a formuladores de políticas públicas e aos demais agentes do setor, com a proposta de tratar golpes e fraudes como um problema sistêmico.

"Para a Fenasbac, este relatório não representa um ponto de chegada, mas o início de um compromisso permanente. Vamos seguir promovendo encontros, debates e estudos, usando nossa capacidade de conectar os diferentes atores do ecossistema para ampliar a cooperação. O enfrentamento aos golpes exige uma atuação conjunta, contínua e em escala global", conclui Henriques.

Para saber mais, basta acessar a página sobre o relatório: https://bit.ly/Relatorio-Fenasbac-Gasa_di

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