Vários migrantes, acompanhados por agentes de segurança, deixaram o enclave espanhol de Ceuta e retornaram ao Marrocos no domingo, enquanto muitos reclamavam das condições que encontraram.
"Não há comida nem nada aqui, não há onde dormir, não há médico, não há nada."
Eles faziam parte das cerca de 50 mil pessoas que cruzaram para Ceuta por terra e mar em uma onda sem precedentes que começou na quinta-feira em uma das únicas duas fronteiras terrestres da União Europeia com a África.
As autoridades espanholas informaram no domingo que mais de 70 pessoas morreram durante a travessia. Algumas se afogaram e outras foram esmagadas ao tentar escalar um quebra-mar e a cerca da fronteira.
Mais migrantes foram vistos embarcando em veículos do Exército no domingo para serem levados de volta à fronteira.
A medida ocorre depois que mais de 48 mil pessoas retornaram ao Marrocos nas primeiras 48 horas, segundo autoridades espanholas.
Mas Mohamed Sahil, que nadou do Marrocos até Ceuta, decidiu permanecer.
"Quero voltar para a Europa. Quero entrar na Europa. Não quero me estabelecer na Espanha, mas tenho muitas coisas para fazer na Europa."
Sahil disse à Reuters que está difícil para os migrantes terem acesso às necessidades básicas, mas que eles não pretendem ir embora.
"Estamos esperando que o governo espanhol encontre uma solução para nós, só isso. Não estamos fazendo nada de errado. Estamos realmente tranquilos. Há pessoas que vieram para receber tratamento médico. Há pessoas que entraram e não têm família nem nada. Há palestinos, há africanos. Há muitas nacionalidades diferentes."
A situação gerou preocupação na Espanha e em toda a União Europeia.
Em frente à embaixada do Marrocos em Madri, manifestantes protestaram no domingo contra o que descreveram como uma ‘invasão’ de migrantes em Ceuta.
“Viemos aqui para dizer que não queremos ser invadidos por outros países. A cultura daqui é esta que temos. Não podemos fazer o que eles querem.”