
Um forte fenômeno de El Niño pode levar cerca de 49 milhões de pessoas a mais à insegurança alimentar aguda em algumas das regiões mais vulneráveis do planeta até o fim do próximo ano.
O informe foi publicado pelo Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas.
A agência da ONU afirmou em um relatório que há 81% de chance de ocorrer um fenômeno El Niño muito forte, com as temperaturas da superfície do mar atingindo seus níveis mais altos desde pelo menos 1982.
A América Central está entre as regiões que deverão ser mais afetadas, com um aumento projetado de 83% no número de pessoas em situação de insegurança alimentar.
Em seguida, aparece a África Austral, onde o avanço pode chegar a 75%.
América do Sul, Caribe e África Austral podem registrar, cada um, mais de 12 milhões de pessoas entrando em situação de insegurança alimentar aguda.
O El Niño é um aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico. O fenômeno altera os padrões climáticos globais e está associado ao atraso das monções em partes da Ásia e a chuvas irregulares em outras regiões.
O Programa Mundial de Alimentos estima que o número de pessoas enfrentando insegurança alimentar aguda poderá chegar a 274 milhões, com base em uma análise de 45 países considerados vulneráveis aos efeitos adversos do El Niño.
Isso representa um aumento de 22% em relação à população de referência que já enfrenta insegurança alimentar em nível de crise ou pior.