
O México mobilizou na quinta-feira mais de 1.500 militares e integrantes da Guarda Nacional para o estado de Michoacán, no oeste do país.
A medida busca permitir a retomada das inspeções norte-americanas necessárias para a exportação de abacates, suspensas no dia anterior devido a preocupações com a segurança.
O produtor e exportador Valentín Rodríguez explicou os impactos da decisão dos Estados Unidos sobre o setor.
“É uma preocupação porque o anúncio feito ontem pelo governo dos Estados Unidos de suspender os serviços técnicos nas embaladoras impossibilita o envio de abacates para os Estados Unidos e paralisa toda a indústria. Hoje, entre 70% e 80% da produção é destinada ao mercado norte-americano. Ontem e hoje a colheita parou, os centros de embalagem pararam, e os prejuízos econômicos para essa atividade serão significativos.”
O governo mexicano informou que o reforço militar será concentrado nos principais municípios produtores.
As forças de segurança protegerão centros de embalagem e rotas de transporte contra ações do crime organizado.
Na quinta-feira, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo acertou um ‘plano de trabalho’ com a embaixada dos Estados Unidos para garantir a segurança dos inspetores norte-americanos.
“Enviaremos efetivos e manteremos o diálogo com a Embaixada dos Estados Unidos e com o governo norte-americano para recuperar, o mais rapidamente possível, as exportações de abacate."
Os Estados Unidos são o principal mercado externo dos abacates mexicanos.
Pela legislação norte-americana, inspetores do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos precisam certificar a fruta para que ela possa ser exportada.
Michoacán, principal estado exportador de abacates do México, enfrenta há anos episódios de violência.
Grupos criminosos disputam as rotas do narcotráfico na região, e produtores relatam casos de extorsão por parte de organizações criminosas.