
O artista nigeriano Emmanuel Olatunde está reinventando a pintura de retratos.
Utilizando sua formação em ciência, ele desenvolveu uma técnica que transforma argila natural em uma grande variedade de cores para pintura.
E a matéria-prima está logo abaixo de seus pés, em Lagos.
“Descobri que a oxidação altera a cor da argila muito mais do que as mudanças naturais provocadas pelo próprio solo e outros fatores. Então fui procurar óxidos, que também são usados por ceramistas para mudar a cor da argila. Foi assim que consegui diferentes tonalidades. Depois, adicionei um aglutinante e testei. Funcionou.”
Os resultados são retratos com textura rica produzidos com tinta à base de argila.
A inovação surgiu de um dilema enfrentado por Olatunde no início da carreira: escolher entre sua paixão pela argila e seu desejo de pintar.
Em vez disso, ele encontrou uma forma de unir as duas atividades.
Sua técnica o coloca entre um número crescente de artistas africanos que adotam materiais sustentáveis e ambientalmente amigáveis.
Essas iniciativas ajudam a reduzir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, ampliam as possibilidades criativas.
“A argila tem sua própria maneira de agir. Quando seca, ela acaba se tornando aquilo que quer ser. Eu gosto do fato de não ter todas as respostas sobre como o trabalho vai terminar. A única coisa que controlo é o que faço com o pincel.”
A inovação, no entanto, não veio sem desafios.
Olatunde afirma que conquistar aceitação no mercado de arte para um material tão incomum continua sendo um obstáculo.
Ainda assim, ele acredita que colecionadores e curadores logo reconhecerão o potencial de sua técnica.