Economia INTERNACIONAL
Como as mudanças climáticas atingiram a economia da Europa neste verão
Para os europeus que ainda acreditavam que as mudanças climáticas eram um problema para as próximas gerações, as ondas de calor sufocantes deste verão deixaram claro que seus impactos econômicos, caros e transformadores, já chegaram.
10/08/2026 15h17
Por: Redação - Vinicius Fonte: Reuters Connect
Reuters Connect

Para qualquer europeu que acreditasse que as mudanças climáticas eram um problema do futuro, este verão pode ter mudado essa percepção.

Os impactos econômicos das mudanças climáticas, com efeitos significativos sobre a vida da população, ficaram evidentes neste ano com temperaturas recordes e períodos prolongados de seca.

As condições climáticas causaram transtornos à geração de energia, ao transporte fluvial e aos sistemas de saúde pública.

Ao mesmo tempo, a temporada de incêndios florestais caminha para se tornar a maior já registrada na Europa.

A temperatura máxima média na Europa Ocidental em julho ficou 4,8% acima da média histórica para o mês.

Foi a maior anomalia registrada desde 1961.

Analistas estimam que a economia da região sofreu perdas de centenas de bilhões de euros neste verão.

E alertam que esse é apenas o começo, já que os custos tendem a crescer mais rapidamente do que as próprias temperaturas.

O clima está mudando mais rapidamente na Europa do que em qualquer outro continente, e seus efeitos atingem diversos setores da sociedade.

Os danos pressionam as contas públicas, alteram o mapa do turismo e podem provocar fortes oscilações na inflação, entre outros impactos.

O transporte em importantes rotas de carga, como os rios Reno e Danúbio, foi limitado devido à queda dos níveis de água.

O banco ING estima que apenas a interrupção do tráfego no rio Reno reduzirá o PIB da Alemanha em 0,3 ponto percentual neste ano.

Além disso, mais de meia dúzia de reatores nucleares tiveram de reduzir ou interromper a produção devido às dificuldades de resfriamento.

As projeções para a produção agrícola também foram revisadas para baixo, com colheitas atrasadas em várias regiões.

Os custos das respostas emergenciais, como o combate a incêndios florestais e as medidas para reduzir o consumo de energia, aumentam ainda mais a pressão sobre os orçamentos públicos.

A seguradora Allianz estima que as mudanças climáticas poderão reduzir entre 5% e 7% o crescimento econômico até 2030 nas economias europeias mais expostas, como Espanha, França e Itália.