Na corrida para produzir cães-robôs em larga escala, a China está superando os Estados Unidos.
A Ghost Robotics, da Filadélfia, desenvolveu o modelo Vision 60 a partir de pesquisas acadêmicas financiadas pelo Exército norte-americano. Mas a empresa não foi a única.
A chinesa Unitree Robotics é uma das maiores fabricantes de robôs humanoides e caninos do mundo. Segundo pesquisadores envolvidos nos estudos, a empresa baseou os projetos de seus quadrúpedes mais bem-sucedidos nas mesmas descobertas financiadas pelos militares dos Estados Unidos.
Gavin Kenneally é o diretor-executivo da Ghost Robotics, empresa que forneceu robôs às Forças Armadas norte-americanas para operações de vigilância e busca.
"Foram publicados artigos científicos, e esses artigos foram estudados muito de perto por empresas chinesas como a Unitree. Esses princípios foram colocados em prática e ampliados de forma extraordinária, usando impressionantes tecnologias de manufatura e cadeia de suprimentos. Agora vemos empresas como a Unitree e outras na China entregando muito mais robôs com pernas do que as empresas norte-americanas."
A Unitree não agiu de forma inapropriada ao utilizar as pesquisas. É uma prática comum divulgar este tipo de estudos para estimular avanços tecnológicos.
Entretanto, esse fator ajudou a elevar a empresa à liderança global do mercado.
A Unitree afirma que seus produtos são destinados ao uso civil e, em 2022, juntamente com empresas norte-americanas, comprometeu-se a não transformar robôs em armas.
Mas os "lobos" robóticos de outras fabricantes foram exibidos em um desfile militar em Pequim no ano passado.
A televisão estatal também mostrou uma versão armada de um robô da Unitree ao lado de tropas chinesas.
A enorme base industrial da China e seu vasto ecossistema de manufatura impulsionam o desenvolvimento da robótica, afirma Hugh Grant-Chapman, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
"Quando observo onde os Estados Unidos ficaram para trás, vejo a perda e o esvaziamento do setor manufatureiro como um fator muito importante para explicar por que as aplicações relacionadas à segurança nacional também ficaram para trás."
Nenhum dos pesquisadores que conversou com a Reuters defendeu manter em segredo pesquisas financiadas pelo governo dos Estados Unidos.
Mas eles argumentam que Washington deveria facilitar a chegada de novas tecnologias ao mercado para competir com a China.
Mesmo assim, segundo Kenneally, a única forma de escapar do domínio chinês é trabalhar com parceiros internacionais.
"Na Ghost, trabalhamos muito próximo de empresas da Coreia do Sul, Taiwan e Japão, onde existe parte dessa expertise em manufatura e cadeia de suprimentos. Portanto, não existe absolutamente nenhum caminho a seguir sem eles."
A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos afirmou que está protegendo os norte-americanos de ameaças estrangeiras e preparando o país para concretizar a visão do presidente Trump de liderar o mundo na próxima geração de tecnologias.