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A jornada desesperada de um zoológico de Gaza para salvar animais da guerra
Quando as crianças entravam no zoológico perto do campo de refugiados de Nuseirat, em Gaza, encontravam um leão que mal retribuía o olhar através das grades de sua jaula. Esses animais sobreviveram à guerra e a repetidos deslocamentos.
19/08/2026 14h42 Atualizada há 2 meses
Por: Redação - Vinicius Fonte: Reuters Connect
Reuters Connect

Neste zoológico perto do campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, os visitantes compartilham algo com os animais: o trauma da guerra e do deslocamento; a experiência da privação e da desnutrição.

Mahmoud Gomaa administrava a atração na cidade de Rafah, no sul do território, mas em 2024 as instalações do zoológico passaram a abrigar palestinos deslocados pela guerra.

Naquele ano, segundo ele, teve de fugir quando tropas israelenses atacaram e ocuparam a área.

À medida que os combates mudavam de lugar, ele transferia os animais repetidamente, primeiro para Khan Younis, depois para Deir al-Balah e, de Deir al-Balah, para Nuseirat.

Gomaa afirma: 

“Cada fase de deslocamento foi uma batalha, não porque fosse uma viagem longa, não, mas porque eu tinha animais comigo que não podiam pedir ajuda. Eu queria salvá-los.”

Ele não conseguiu levar todos. Em Rafah, deixou para trás crocodilos, avestruzes e três leões. Segundo ele, meses depois voltou ao local e encontrou as aves e os répteis mortos. Os leões haviam desaparecido.

Em Nuseirat, ele reabriu o zoológico, na esperança de oferecer às crianças traumatizadas algo de que pudessem desfrutar após quase três anos de destruição.

As Forças Armadas de Israel afirmam que seus ataques têm como alvo militantes. O Exército não respondeu de imediato às perguntas sobre o impacto do conflito em instalações civis, como zoológicos e seus animais.

Registros municipais mostram que havia vários zoológicos em Gaza antes da eclosão do conflito entre Israel e Hamas.

Cuidar dos animais em meio à devastação em Gaza é um enorme desafio.

O veterinário Nidal Fadel trata desde cães e pombos até macacos em um território 

que enfrenta dificuldades para alimentar sua população humana.

Fadel relembrou o caso de uma leoa desnutrida que deu à luz filhotes. Ela não tinha alimentação adequada para sustentá-los. Ele não conseguiu salvar um deles.

No zoológico, este leão mal levantava a cabeça. Mas as crianças tiveram mais sorte com outros animais.

Foi uma rara oportunidade de relaxar em um enclave que continua enfrentando ataques aéreos regulares, apesar de um frágil cessar-fogo.