
“Gradualmente nos tornamos noturnos. Trata-se de proteger nossos corpos e, em última instância, nossas vidas.”
O sol já se pôs sobre esta estufa ao norte de Tóquio, mas o trabalho ainda continua lá dentro.
Sob a luz de lâmpadas, o produtor de flores Motoaki Iijima inspeciona cuidadosamente sua colheita.
Ele trabalha à noite para escapar do calor diurno, que se tornou cada vez mais mortal ao longo dos anos.
Há três anos, um trabalhador temporário sofreu insolação enquanto colhia girassóis em sua estufa.
Este foi um fato que mudou tudo para Iijima.
“Estávamos preocupados com a segurança física dos nossos trabalhadores, e até mesmo com suas vidas, já que as temperaturas aumentam a cada ano, então decidimos passar a fazer a colheita e outras tarefas à noite.”
O Japão é particularmente vulnerável entre as economias avançadas.
Cerca de 70% dos agricultores do país têm 65 anos ou mais, o que os torna especialmente suscetíveis ao estresse térmico.
A alta umidade do país aumenta ainda mais o perigo.
Miyoko Asada, de 68 anos, funcionária da fazenda de Iijima, diz que acordar mais cedo para trabalhar é difícil.
Mas é um preço pequeno a pagar para evitar o calor.
Para o produtor de aves Tetsuya Usuba, que trabalha nas proximidades, o desafio é manter suas aves vivas.
Há seis verões, ele perdeu mais de 500 galinhas poedeiras devido à insolação
durante um período de três dias de calor intenso.
Agora, ele também está adotando uma rotina noturna.
“Por aqui há muitos dias em que a temperatura máxima ultrapassa 35 graus Celsius. As galinhas geralmente não comem quando está quente, e é muito difícil fazê-las comer em momentos em que elas não querem por conta própria. Então o que estamos fazendo é acordar as galinhas quando está mais fresco durante a noite e fazê-las comer nesse período.”
Usuba afirma que, a cada ano que passa, está cada vez mais difícil exercer sua profissão.
É um sentimento que muitos agricultores japoneses provavelmente compartilham.