
A gravidez de Maria Florida Nogo Kelen já era arriscada e complicada, antes mesmo de um terremoto de magnitude 7,7 atingir a região onde ela vive.
Enquanto o hospital em Nagakeo, na Indonésia, tremia, os médicos seguiram com a cirurgia de emergência mesmo quando, segundo Maria, a sala começou a desabar ao redor deles.
Os médicos disseram que, se tivessem adiado o procedimento, Maria, que agora se recupera em uma tenda, poderia ter sofrido uma convulsão fatal.
“Foi uma emergência enorme, mesmo que o terremoto não tenha durado muito. Os médicos que fizeram a cirurgia foram milagrosos e lutaram com todas as forças. Obrigada, médicos e enfermeiros.”
Os médicos usaram lanternas para realizar o parto durante interrupções intermitentes de energia, enquanto o hospital, próximo ao epicentro do terremoto, era sacudido sem trégua.
‘Eu não tinha muita escolha’, diz a obstetra Yona Sara Pardede, que afirma ainda ter ficado apavorada.
“Eu acreditava que a presença e a proteção de Deus eram perfeitas, então, quando a bebê nasceu, e ela nasceu pequena e era um parto pélvico, eu tive que ser muito cuidadosa para que suas pernas e braços não fossem quebrados, para que sua coluna cervical não fosse lesionada, nem seu pescoço. E quando a entreguei ao pediatra um momento depois, ela chorou.”
Foi um parto difícil e Maria sofreu uma hemorragia depois. Sua quarta filha nasceu dois meses antes do previsto e pesando pouco menos de 1,4 quilo.
Maria deu à filha o nome de Gempita, em referência a uma palavra indonésia para terremoto.
O tremor danificou centenas de hospitais e residências em toda a província de Nusa Tenggara Oriental, e matou dezenas de pessoas.
Em Ruteng, na mesma província, outras mães e seus recém-nascidos estavam amontoados em uma pequena ala de maternidade, enquanto casos de emergência eram atendidos em uma tenda devido aos danos nas alas principais.
Maria afirma que está simplesmente grata por estar viva.
“Sou muito grata porque, enquanto os profissionais deixaram suas famílias em casa, eles não nos abandonaram e continuaram cuidando de mim. Eu mesma não sabia qual seria o meu destino. E, ao mesmo tempo, também deixei meus outros três filhos em casa.”