
Hoje é dia de São Francisco de Assis.
É dia de chamar Francisco para lembrar que o amar é que dá, ao humano, humanidade.
É dia de chamar Francisco para deixar de querer tanto e saber que dar, que se doar, é um movimento de felicidade.
É dia de chamar Francisco para escrever o perdão onde tantos rabiscam os ódios.
O que se escreve com o pensamento em Francisco permanece. Francisco viveu naqueles tempos e prossegue vivendo nos nossos tempos.
O menino de Assis virou o santo da humanidade inteira porque soube abraçar a irmã liberdade e se libertar de tudo o que escraviza o humano.
Francisco olhou nos olhos e abraçou as dores. Sua bondade foi maior do que as doenças do corpo e da alma. Seu canto novo deu voz aos cantos emudecidos pelos preconceitos. Quem ousaria estar com um leproso? Dividir com ele o mesmo espaço e oferecer a ele os afetos negados por tantos?
Antes dele, o seu mestre, Jesus, o mais livre de todos os homens, o Deus no humano, fez isso. E permaneceu. Francisco não sonhava em permanecer. Sonhava em cuidar. Em reconstruir a Igreja, em reconstruir as igrejas que são os humanos desumanizados por humanos. E cantou o sol, a lua, as estrelas, os animais. E cantou a alegria. E cantou a bondade dissipadora das mágoas. E cantou um raio de luz que faz nascer um dia inteiro. Deixou de lado o que deixava de lado irmãos seus. Irmãos nossos.
Hoje é dia de São Francisco de Assis.
É dia de chamar Francisco para explicar que pedras foram feitas para construir templos e não para a destruição.
É dia de chamar Francisco para lembrar o bonito da palavra, da palavra que eleva, que une, que diz a verdade.
É dia de chamar Francisco para reaprender a conviver nas diferenças, sem medo de vencer a ditadura do igual.
Iguais somos todos diante do irmão ar, de que necessitamos para respirar. Iguais somos todos diante da irmã água tão saciadora das nossas sedes. Iguais somos na pobreza, na certeza de que morreremos sem nada.
E somos diferentes no nosso canto, na criatividade, presente de Deus, para criarmos mundos bonitos para todos, cada um no seu fazer.
Depois de Francisco, mulheres e homens povoaram o mundo. E antes dele, também. Ele permaneceu. Não só na eternidade que nossa fé crê. Permaneceu nos exemplos de humanidade.
Sim. É dia de chamar Francisco. Não apenas hoje, no seu dia. Todo dia é dia de chamar Francisco para nos inspirar a amar sem medidas. A abençoar a vida com a nossa vida. A amanhecer com as manhãs acendendo na terra a chama da esperança.
Francisco permanece jovem, cantarolando na floresta dos nossos sonhos. Alimentando o nosso apetite de vida. Explicando o bonito da comunhão.
Até a morte ele chamou de irmã. Até os animais que davam medo. Há muitos humanos que também dão medo. Quem sabe se o chamarmos de irmãos, o milagre aconteça.
Quem são os leprosos de hoje que precisam do nosso abraço? Quem são os que nos dão medo? Quem somos nós habitantes provisórios de um mundo que permanece carente de amor?
Obrigado, Francisco, por nos inspirar tanto. Lembrar o seu nome, a sua vida, a sua história, os seus valores já faz o meu dia, o nosso dia, no seu dia, ser mais bonito.