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Alunas de Monte Alegre de Sergipe conquistam prêmios em feira científica internacional no Paraguai

Projetos desenvolvidos no Colégio Estadual José Inácio de Farias, com foco em sustentabilidade e estímulo cognitivo conquistaram o primeiro lugar n...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
08/10/2026 às 14h34
Alunas de Monte Alegre de Sergipe conquistam prêmios em feira científica internacional no Paraguai
Colégio Estadual Jose Inácio de Farias, de Monte Alegre de Sergipe, foi a única unidade escolar pública do Brasil a participar da ExpoAurora de Luque 2026 | Fotos: Ascom Seed

A ciência produzida por estudantes da rede pública estadual de Sergipe mais uma vez ultrapassou as fronteiras do Brasil e conquistou reconhecimento internacional. Único colégio público brasileiro a participar da ExpoAurora de Luque 2026, o Colégio Estadual José Inácio de Farias, de Monte Alegre de Sergipe, conquistou o primeiro lugar em duas categorias do evento, realizado em Luque, no Paraguai, com projetos voltados à sustentabilidade e à estimulação cognitiva de pessoas idosas. A delegação também participou da Ruta Científica Tecnológica y Artes Internacionales Escolar, que reuniu representantes de nove países da América Central e da América do Sul.

Os trabalhos foram desenvolvidos sob orientação dos professores Adnoã Gomes da Cruz, de Geografia, e Cícero Clácio dos Santos, de Ciências e Matemática. No projeto BioChar, a estudante Mirely Borges Andrade conquistou o primeiro lugar na ExpoAurora. Já o projeto Mentes Vivas, desenvolvido pelas estudantes Clarice Souza Santos, Mariana Cardoso Santana e Witila Oliveira dos Santos, também alcançou a primeira colocação.

Além dos prêmios, a participação proporcionou aos estudantes uma experiência de intercâmbio científico e cultural. O contato com jovens e pesquisadores de diferentes países também possibilitou a apresentação de pesquisas desenvolvidas a partir de questões observadas em sua própria realidade.

Professora de Geografia, coordenadora pedagógica e pesquisadora da escola, Adnoã Gomes da Cruz acompanhou os grupos de estudantes envolvidos nas pesquisas. Ela destaca o impacto da experiência internacional na formação dos jovens. “Mais do que apresentar pesquisas, vivenciamos momentos de aprendizagem, intercâmbio cultural e troca de conhecimento com estudantes e pesquisadores de nove países. Tivemos a honra de ser premiados em primeiro lugar nas nossas categorias, entre 450 projetos apresentados na feira”, relatou.

Ciência

Desenvolvido a partir de uma necessidade observada no semiárido sergipano, o projeto BioChar pesquisa o aproveitamento de papel para a produção de biocarvão, utilizado como condicionador do solo. A proposta é aumentar a capacidade de retenção de água e potencializar a ação de adubos, contribuindo para a produção agrícola em uma região marcada pela escassez hídrica e pelo empobrecimento do solo.

Segundo o professor Cícero Clácio dos Santos, a pesquisa nasceu da preocupação com os efeitos da erosão e do desmatamento sobre o solo do semiárido. “A gente pensou em uma solução para esse problema da nossa região. O BioChar vem repor essa nutrição ao solo, fazendo com que ele volte a ter uma sobrevida na produção agrícola”, disse.

Na escola, o biocarvão foi testado em conjunto com adubo produzido pelos próprios estudantes a partir de chorume. Os resultados observados apontaram melhoria na retenção de água e no aproveitamento do adubo pelas plantas.

O projeto contou com apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec-SE) para seu desenvolvimento e com recursos do Programa de Transferência de Recursos Financeiros Diretamente às Escolas Públicas Estaduais (Profin – Projetos) para a participação na feira internacional.

Jogos 

O projeto Mentes Vivas surgiu da observação sobre a importância de estimular a atividade cognitiva de pessoas idosas. Desenvolvido há cerca de um ano, o trabalho utiliza jogos e atividades com materiais físicos como estratégia para estimular a memória, a aprendizagem e a interação dos participantes.

Os experimentos foram realizados com aproximadamente 25 estudantes de duas turmas da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) de uma escola municipal. A proposta também resgata jogos e memórias da infância dos participantes, valorizando aspectos culturais e experiências pessoais. “O Mentes Vivas é isso: manter a mente viva, manter as lembranças, a memória cultural, a lembrança da infância, os jogos de infância”, detalhou o professor Cícero.

O projeto foi desenvolvido com recursos do Profin – Projetos, inclusive para a participação dos estudantes no evento internacional.

Iniciação científica 

Para o professor Cícero, levar a pesquisa científica para os anos iniciais da formação escolar contribui para tornar a aprendizagem mais significativa. Na escola, os estudantes são estimulados a transformar conteúdos trabalhados em sala de aula em projetos práticos, apresentados posteriormente em uma feira científica própria da instituição. “A ciência na prática recupera a vontade de aprender do aluno. Quando ele começa a se envolver com os projetos científicos, muda totalmente de atitude. Ele começa a aprender e a usar o conhecimento na prática”, afirmou.

Segundo o professor, a estratégia é especialmente significativa para estudantes que vivem no campo e podem relacionar diretamente o conhecimento produzido na escola às atividades de seu cotidiano. “Quando a gente pega um aluno que trabalha e vive no campo e mostra que ele pode aplicar o projeto na lavoura e ver o resultado, ele se torna um aprendiz melhor e um multiplicador da ação”, destacou.

Para a professora Adnoã Gomes da Cruz, a conquista reforça a importância de criar oportunidades para que os estudantes desenvolvam seus projetos e ampliem seus horizontes. “Ver nossos alunos representando Sergipe, compartilhando suas ideias e ampliando seus horizontes de pesquisa reforça a importância de investir na ciência, na educação e nas oportunidades que permitem aos nossos alunos sonhar e ir cada vez mais longe”, afirmou.

Para o professor Cícero, a experiência teve impacto também na relação dos estudantes com a escola e com o conhecimento. O contato com outros jovens e o reconhecimento internacional dos projetos despertaram nos alunos o desejo de continuar desenvolvendo pesquisas no Ensino Médio.

Conhecimento 

A estudante Mirely Borges Andrade, integrante do BioChar, destaca a importância da conquista e da oportunidade de representar a escola fora do país. “Fiquei muito feliz com essa conquista, porque foi uma experiência muito importante para mim. Aprendi muitas coisas, conheci pessoas novas e adquiri muitos conhecimentos durante todo esse processo. Foi uma honra poder representar minha escola e levar o nosso projeto tão longe. É uma experiência que vou guardar com muito carinho”, afirmou.

Para Witila Oliveira dos Santos, integrante do Mentes Vivas, a viagem também representou uma oportunidade de aprendizado para além da pesquisa. “Minha experiência no Paraguai foi uma das melhores possíveis. Aprendi coisas novas, tive a oportunidade de estudar pessoalmente um novo idioma, fiz novas amizades e estou guardando o conhecimento que adquiri lá”, contou.

A estudante ressalta ainda a importância de possibilitar a participação de jovens sergipanos em eventos científicos internacionais. “Quando um aluno desenvolve um projeto e consegue apresentá-lo internacionalmente, ele tem a oportunidade de apresentar sua escola, seu município e seu estado, além de entrar em contato com outros estudantes e pesquisadores de lugares diferentes”, destacou.

As conquistas no Paraguai ampliam as possibilidades de participação dos estudantes em eventos científicos internacionais. Com os credenciamentos obtidos, o projeto BioChar seguirá para uma feira em Dubai, enquanto o projeto Mentes Vivas terá a oportunidade de apresentar sua pesquisa em Houston, nos Estados Unidos, em 2027.

Apresentação do projeto BioChar | Fotos: Ascom Seed
Apresentação do projeto BioChar | Fotos: Ascom Seed
Apresentação do Projeto Mentes Vivas
Apresentação do Projeto Mentes Vivas
Equipes de Monte Alegre de Sergipe
Equipes de Monte Alegre de Sergipe
Evento contou com a participação de estudantes de nove países, que juntos somam 450 projetos de pesquisa científica
Evento contou com a participação de estudantes de nove países, que juntos somam 450 projetos de pesquisa científica
Integrantes do Projeto Mentes Vivas
Integrantes do Projeto Mentes Vivas
Mirely Borges Andrade, integrante do BioChar
Mirely Borges Andrade, integrante do BioChar
Premiacao do Projeto BioChar
Premiacao do Projeto BioChar
Premiação do Projeto Mentes Vivas
Premiação do Projeto Mentes Vivas
Professores Cicero Clacio dos Santos, de Ciências e Matemática, e Adnoã Gomes da Cruz, de Geografia
Professores Cicero Clacio dos Santos, de Ciências e Matemática, e Adnoã Gomes da Cruz, de Geografia
Representante do Projeto BioChar
Representante do Projeto BioChar
Witila, Clarice e Mariana, integrantes do Mentes Vivas
Witila, Clarice e Mariana, integrantes do Mentes Vivas
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