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Cirurgia de coluna a laser trata hérnia sem cortes

O procedimento percutâneo alivia a compressão do nervo em poucos minutos e permite alta no mesmo dia. Pedro Correa, especialista em coluna do Instituto Medicina em Foco, explica quando a técnica é indicada e quais são seus limites

mc
Por: mc Fonte: Agência Dino
23/10/2026 às 14h46
Cirurgia de coluna a laser trata hérnia sem cortes
Imagem do Magnific/rawpixel.com

A dor na coluna afeta grande parte da população adulta e figura como a principal causa de incapacidade no planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estimou 619 milhões de pessoas convivendo com lombalgia em 2020 e estima que a condição afetará 843 milhões em 2050.

No Brasil, as doenças de coluna estão entre os problemas crônicos mais relatados por adultos, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Diante desse cenário, ganha espaço uma alternativa minimamente invasiva para casos específicos de hérnia de disco: a nucleotomia a laser, também chamada de descompressão discal a laser.

O tratamento a laser para coluna parte de um princípio simples de execução. O médico introduz uma agulha muito fina, chamada cânula, através da pele até o centro do disco intervertebral afetado, com auxílio de um equipamento de raio-X em tempo real que orienta cada milímetro do trajeto.

Por dentro dessa cânula, uma fibra óptica conduz a energia do laser, que vaporiza uma pequena porção do núcleo do disco, a parte gelatinosa interna. O resultado é a formação de um vácuo parcial que reduz a pressão dentro do disco, fazendo com que a hérnia diminua de volume e deixe de comprimir a raiz nervosa, o que costuma aliviar o incômodo de forma quase imediata.

A principal diferença em relação à cirurgia aberta convencional está no grau de agressão ao corpo. Enquanto a técnica tradicional depende de incisão, afastamento da musculatura e, em muitos casos, anestesia geral, a proposta da hérnia de disco sem cortes segue outro caminho.

Segundo o Dr. Pedro Correa, médico especialista em coluna do Instituto Medicina em Foco, "não há cortes com bisturi (apenas um furinho de agulha), não há sangramento, não cortamos músculos e não alteramos a estrutura óssea da coluna. Além disso, o procedimento é feito apenas com anestesia local e uma sedação leve".

Essa ausência de trauma cirúrgico explica por que o paciente pode ir para casa no mesmo dia. Como não há tecidos seccionados, dispensam-se drenos, o risco de sangramento é baixo e a pessoa não enfrenta as dores associadas a uma incisão. A recuperação de uma sedação leve também tende a ser mais rápida do que a de uma anestesia geral.

"Em poucas horas, após o efeito da sedação passar e confirmarmos que o paciente está bem e sem dor, ele já pode caminhar e ir para casa", afirma Correa. Esse formato ambulatorial ajuda a dissolver um dos maiores obstáculos ao tratamento, o medo de encarar uma cirurgia aberta, que leva muitas pessoas a conviver com dor na coluna por anos antes de buscar ajuda especializada.

Quando o procedimento é indicado

Apesar dos benefícios, a cirurgia de coluna a laser tem aplicação restrita e exige avaliação criteriosa. "A nucleotomia a laser não é mágica, ela tem indicações precisas", pondera o especialista.

De acordo com o médico, a técnica não é recomendada para hérnias extrusas, quando um fragmento do disco se rompe e fica solto no canal vertebral, nem para quadros de desgaste avançado do disco, instabilidade entre as vértebras ou estreitamento grave do canal. O melhor desempenho aparece em hérnias contidas, as chamadas protrusões, que provocam dor ciática e não respondem à fisioterapia e medicamentos.

Tecnologia amplia segurança e precisão

A evolução tecnológica ajudou a tornar o método mais seguro. Correa aponta dois avanços decisivos: a imagem intraoperatória de alta resolução, que permite visualizar a ponta da agulha em escala milimétrica e desviar de estruturas nervosas, e o aperfeiçoamento dos próprios equipamentos de laser, como os modelos de Holmium e Nd:YAG, que trabalham com comprimentos de onda controlados. Esse controle possibilita vaporizar o tecido do disco sem gerar calor excessivo ao redor, o que reduz o risco de dano térmico às estruturas vizinhas.

O especialista faz questão de situar o procedimento dentro de um leque maior de opções antes de qualquer decisão pela sala de cirurgia. "A grande maioria dos casos pode ser resolvida com tratamentos conservadores bem direcionados ou técnicas minimamente invasivas, como infiltrações, laser e endoscopia", observa.

A orientação, segundo ele, é que quem convive com quadros persistentes procure um especialista atualizado para investigar a causa, já que muitos pacientes desconhecem alternativas menos agressivas do que a cirurgia aberta e acabam adiando o cuidado por receio.

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