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“Saudade de mãe”

o título de minha crônica publicada, neste domingo, em O Dia:

Redação - Felipe
Por: Redação - Felipe Fonte: Própria
15/07/2026 às 10h30 Atualizada em 16/07/2026 às 10h47
“Saudade de mãe”
Gabriel Chalita

Saudade de mãe

(Gabriel Chalita)

Saudade de mãe é memória. É a memória mais simples e a mais sofisticada do amor. O amor nos trouxe aqui. 

Saudade de mãe é lembrança. É lembrança também do que não se lembra. Dos primeiros toques, dos primeiros cuidados, do alimentar antes do saber. O saber vem depois do sentir. Antes do andar, vem o engatinhar. Antes do voar, vem o sonho. 

Saudade de mãe é sonhar. É sonhar que não acabou. Que o cordão umbilical, que é o cordão do amor, é para sempre o cordão do amor. Saudade de mãe é colo de aconchegos em qualquer idade. É o direito ao erro, ao choro, ao acalmar o que desacalma a alma.

Saudade de mãe é o acerto mais acertado. É um cálice dourado em que se celebra a vida. Há fios preciosos que não vemos. Que nos trazem a eternidade na nossa idade. Na idade do encantamento ou na idade do esfriamento. 

Quando se tem o aplauso da história, se tem junto a saudade de mãe. E quando se morre em qualquer glória, é a saudade de mãe que nos vem à memória. Quando se tem rima ou quando não. Quando se desafina ou quando não. Quando a vida da mãe termina...Meu Deus, que vazio.

Saudade de mãe. Das mães que vivem por aqui e das que já sorriem o sorriso sem fim do mundo sem fim. E sem mim. Se estou, minha mãe está. Se se pode dizer, se se pode abraçar, se se pode celebrar juntos o dia das mães, o todo dia, dias das mães. 

Todo dia é dia das mães. Se se pode ouvir o perguntar, o como se está. É saudade, também. Saudade da mãe que mora longe. Saudade da mãe que mora, mas que já não sabe. Que adoeceu com a idade. 

Saudade da mãe em um outro tempo. Se não se está, saudade de mãe. Saudade de acreditar que um dia vai estar. Que será de novo mãe e filho. Que o abraço sem o corpo será tão abraço quanto um dia foi. E ainda mais bonito. 

O bonito é poder ter saudade. É chorar, se necessário. É chorar e sorrir,

lembrando. Os tempos que se vão, ficam. E os tempos que ainda não sabemos virão. 

E, de novo, o sentir e o saber. 

Saudade de mãe é sentir que o sentir é mais elevação que o saber. Quando já não se sabe se sabe o gosto do abraço. Do braço que ajuda. Da comunhão. Saudade de mãe é comunhão. É comunhão com todos os tempos do nosso existir. 

Saudade de mãe é como o sorrir. É como o florir. É como o desmachucar a vida. Há uma cicatriz para as feridas que não se compra, se lembra. Que mora dentro. O cortar do cordão não cortou o que tem que ficar. Fica a lembrança dos mais lindos dias, quando os dias eram ela. E o preparo para o hoje. O hoje, quando a lembrança dela emociona. 

Saudade de mãe é a memória mais simples e a mais sofisticada do amor. 

Saudade de mãe é história. É o que cada um tem por ter aprendido a construir. 

A primeira professora, ela. 

Saudade de mãe.

Saudade, mãe.

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GABRIEL CHALITA
GABRIEL CHALITA
Professor, escritor, jurista e dramaturgo, Gabriel Chalita é um dos mais respeitados intelectuais brasileiros. Autor de mais de 90 livros, com mais de 12 milhões de exemplares vendidos, construiu uma trajetória marcada pela educação, filosofia, literatura e cultura.

Nesta coluna, você acompanha seus artigos, reflexões e conteúdos exclusivos sobre ética, comportamento, educação, arte e os grandes temas da sociedade, sempre com a sensibilidade e a profundidade que fazem de Gabriel Chalita uma das vozes mais relevantes do pensamento contemporâneo.
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